terça-feira, 14 de abril de 2020

O rebolar das borboletas


Em um jardim de tumbérgias, hortênsias e gerânios, dançam três borboletas amarelas, bailam sob o sol escaldante, de flores em flores, ora em hortênsias vermelhas, ou rosa clarinho, em gerânios brancos, elas bailam em mundo só seu, ora juntas, ora separadas, voam para cima e descem novamente sem se importar com os raios do sol, com a brisa, voam as borboletas celebrando a transformação, sem medo, olhando do alto enxergando o chão, onde a pouco tempo se arrastavam e alimentando de folhas, depois crisálidas e agora lindas borboletas, dançando despreocupadas,o vento é a música, uma melodia  com letras de brisa, sustenidos de raios de sol.


 Texto escrito por Daise Angela.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

A Brisa




A noite chegou silenciosa, no bambuzal um vento leve soprou levantando as folhas secas caídas no chão, aos poucos o som da escuridão foi aumentando, um grilo cantava dali, um sapo coaxava de lá, um piado fino e longo foi ouvido por umas das corujas que voava próximo ao riacho, que descia pela pequena encosta, ali bem perto abriu se uma portinha minúscula numa árvore que ficava bem entre o riacho e os bambus.

De dentro da frondosa árvore saiu primeiro dois olhinhos, tão pequenos que mais pareciam pontinhas de uma agulha, daquela de bordar bordados bem delicados, rendinhas que são feita bem perfeitas, os olhinhos piscaram, uma vez, depois outra vez, até se acostumarem com a escuridão, em seguida uma mãozinha segurando uma lanterna, e no clarão da luz podia se ver uma menininha com asas tão delicadinha quase transparente, que reluzia quando trepidava, as cores eram como as do arco - íris, mas bem mais sutil.


A pequena menininha com asas era uma fada que acabava de nascer, os olhinhos pretos e bochechas bem rosinha, a natureza é assim, quando você menos espera, nasce uma fada aqui, ou outro ser ali, ela que comanda quem nasce, e onde nasce, e aquela doce criaturinha nasceu em um dia em que tudo estava tão calmo e parado, ela bateu suas asinhas, deu uns pulinhos, bateu umas palminhas e saiu voando no escuro, acabou batendo em um bambu que insistia em ficar deitado no meio do caminho.

Foi um tombo feio, mas a fada levantou, olhou para o alto, lá em cima na árvore a lanterna brilhava, ela voltou imediatamente voando, viu que não podia sair naquela escuridão, entrou novamente pela janelinha, pegando a lanterna, olhou em volta, sua casinha era muito fofa, alguém já havia preparado tudo para ela morar ali, tinha um sofá com uma toalha bordada em seu encosto, e na toalha um nome, “Brisa”, a fada pensou: Uau! esse é meu nome.

Na mesa tinha uma linda xícara rosa, com florzinhas amarelas e azuis, ao lado, um cubo de açúcar, dentro um néctar de framboesa, um cheirinho adocicado era sentido por toda a casinha, atrás de um anteparo, ficava uma caminha macia coberta por pétalas rosas brancas e rosas, que eram cobertores afáveis, luzinhas brancas iluminava em volta do dossel da cama, na janela, a cortina com estrelas cintilavam como as do céu.

Brisa andou por toda casinha, que não era tão grande assim, sentou se na mesa, jogou o cubo de açúcar dentro da xícara, e se deliciou do néctar de framboesa, tomou tudinho até o último golinho, e todo aquele líquido gostoso, a deixou com um sono… ela bocejou, piscou os olhinhos, coçou a cabeça, olhou para a caminha confortável, deu uns passinhos e caiu sobre a mesma, o colchão era tão macio que ela afundava e voltava, afundava e voltada.

Depois de tanto afundar e voltar várias vezes, puxou uma pétala de rosa bem macia para cima de si, e dormiu, a árvore que sentia tudo, balançou seus galhos com o vento bem devagar, não queria acordar sua nova moradora, cada folha que se soltava, descia bem lentamente, chegando ao chão como um sussurro, à noite seguiu silenciosa, alguns barulhos dos seres da escuridão embalou o sono da fadinha, que dormia profundamente, sua primeira noite no planeta.


Quando os primeiros raios de sol bateu no tronco da árvore, iluminou toda casinha, o calor gostoso tocou os cabelos da fadinha, depois a bochecha, as minúsculas mãozinhas, e ela foi acordando suavemente, o sol a cumprimentava convidando a um belo voo sereno naquele dia magnífico, ela abriu os olhinhos, sentou se na cama, armou suas asinhas, esticou as pernas para fora da cama, abriu a janela, saudando a frondosa árvore, ao ventinho que passava, e ao sol que tudo iluminava.


Texto escrito por Daise 

sexta-feira, 3 de abril de 2020

A Menina na bicicleta



A menina descia a ladeira de pedras lisas e brilhantes em sua bicicleta, o vento balançava o cabelo com toda rebeldia; sacolejava seu corpo para lá e para cá, pulando seus braços e pernas como um canguru, os pensamentos da guria voavam como o vento que passa rápido. Ela fechou os olhos e mergulhou naquela aventura. Lá embaixo, virando a esquina, tinha um muro com uma pintura desgastada, e a toda velocidade a menina abre os olhos, e sente que não vai conseguir fazer a curva. Num ímpeto de entrega, ela se solta e mergulha em direção ao muro.
Quando já estava bem perto, fechou os olhos novamente e pensou: “ Agora já vou partir para o além”...e de repente sentiu um impacto e a bicicleta rompeu o muro e a viagem continuou, ela desceu ainda mais com os olhos fechados, e quando abriu, viu que corria em um campo de trigo, que balançava com a brisa e brilhava como ouro. O chão era de terra, mas a bicicleta fluía sem trepidar, ela abriu os braços e disse: “ Estou no além e aqui é bonito”, pegou impulso e correu ainda mais rápido.
Estar no além a deixou muito feliz. Sentiu paz, nada a incomodava. A menina pedalou pelo imenso campo de trigo e teve uma súbita lembrança de já conhecer aquele lugar, mas de onde? Nunca tinha ido em um trigal. Nesse momento, foi diminuindo a velocidade da bicicleta, até que finalmente parou. Olhou para o horizonte, o céu azul bem claro com o sol resplandecente, sentou-se no chão, ofegante.
Sentada no meio do trigo, só ouvia o bailar das folhas secas em contato com as sementes do campo. O movimento das plantas parecia uma orquestra em um dia de estréia. Olhando mais de perto ela pôde perceber as pequeninas flores do trigo - mesmo que minúsculas - todas juntas formavam um lindo arranjo na imensidão.
Com os pensamentos ainda atordoados, ela se levantou, balançou a poeira do short jeans e seguiu empurrando a bicicleta; caminhando em meio ao trigal, alcançou uma estrada de terra empoeirada. Bem ao longe avistou um pequeno casebre, a estrada parecia não ter fim. Seguiu andando, mas não cansava, não sentia calor excessivo, por mais que caminhasse muito, só ouvia o som do vento zunindo em seus ouvidos.
Depois de muito caminhar foi se aproximando do casebre. Era um lugar? Ou uma paisagem? Caminhou mais e mais... quando parecia se aproximar, o casebre se distanciava. Então ela pensou: “devo estar sonhando”. Quando olhou para trás, o campo de trigo ainda balançava ao comando do vento. O brilho era tão intenso, em perfeita sincronia, como se fosse um tapete dourado.
A menina montou na bicicleta, correu o mais rápido que pôde e alcançou o casebre. Ele, com portas e janelas de madeira, desabitado, mas intacto, apesar do tempo. Encostou a bicicleta na parede da casa e empurrou a porta, que rangeu ao pequeno toque das mãos; olhou em volta e não viu ninguém. Lá dentro tinha um banco de madeira e uma cama com uma colcha de retalhos. Lembrava a que sua bisavó havia costurado para sua cama quando ainda era pequena. O fogão a lenha estava aceso, mas a casa não tinha moradores.
Deitou-se na cama e por lá ficou, o que parecia ser uma eternidade. Pensou em um pão quentinho de cravo e canela, e nesse momento, o pão estava sobre o fogão e todo o casebre foi inundado pelo cheiro. Ela levantou, pegou o pão e comeu; o gosto era maravilhoso, derretia na boca, não se lembrava de ter comido um pão tão apetitoso. Depois de comer até a última migalha, deitou novamente na cama e dormiu.

Quando acordou, a noite já tinha chegado. Ela foi até a janela, a abriu e olhou o céu estrelado. Era tudo tão escuro que ela não enxergava nem a própria mão, até que, andando pelo casebre encostando nas paredes, trombou a mão em um lampião. Ao seu lado havia uma caixa de fósforo já bem desgastada; tirou dela um palito, riscou e acendeu. Foi até a porta e sentou-se no degrau. Seus pensamentos iam longe, na sua casa, a mãe deveria estar preocupada.
Nada fazia sentido para ela naquele momento. Se ali era o além, onde estariam as outras pessoas? Qual o sentido dela estar ali? E o que ela pensava se materializava. Lembrou da sopa de feijão que a mãe fazia e logo a sopa apareceu no fogão; a lenha trepidava por baixo, ela pegou uma tigela em cima da mesa e tomou a sopa devagar, apreciando cada grão de feijão, os condimentos salpicavam um sabor delicado. Voltando para a porta, ficou olhando o céu, as estrelas dançavam na imensidão, a lua foi aparecendo por trás das nuvens e logo reinou no céu estrelado.
O dia amanheceu lindo, o vento batia com força nas janelas de madeira, a menina abriu os olhos e tentou se lembrar de onde estava. Aos poucos sua memória foi voltando - a ladeira, a bicicleta, o muro de pintura desgastada, o impacto, o campo de trigo e o casebre. Ela sentou-se na cama, não se lembrava de que hora tinha ido dormir, só lembrava que estava apreciando o céu na noite passada. Olhou para o fogão e a lenha trepidava em fogo azul, vermelho e amarelo, na chapa do fogão: uma leiteira saindo fumaça e um bolo de milho, na mesa, uma xícara e um pratinho ao lado.
A menina se sentou e tomou o leite quentinho, comeu o bolo de milho e indagou consigo mesma: “ Por que toda comida desse casebre é tão gostosa?”. Terminou seu desjejum e saiu do casebre. Pegou a bicicleta e foi em disparada pela estrada, não sabia aonde iria, mas ia à algum lugar e foi correndo pelo estrada empoeirada, alcançou o campo de trigo e atravessou ele correndo, mas não tinha fim.
A tarde já anunciava a sua chegada. Quando a menina parou de pedalar, surpreendentemente, estava novamente no casebre. Andou em círculos o dia todo, aquele lugar parecia ser só um campo de trigo, uma estrada e um casebre, e frustrada com essa descoberta, entrou para o casebre, deitou na cama exausta, quando sentiu que havia uma lombada debaixo do colchão. Levantou e achou um livro, na capa estava escrito: “Ficar ou voltar?”.
Quando ela folheou o livro, as páginas estavam em branco, nada fazia sentido, ficar ou voltar, o que significava essas palavras. Ficar? Onde? Voltar? Para onde? A cabeça dela estava a mil, queria respostas sobre que lugar era aquele. Ela teria mesmo morrido? A noite chegou e ela nem percebeu, só quando não conseguia mais ver o título do livro é que se deu conta de que a escuridão tinha tomado o casebre. Dessa vez ela ficou quieta, deitada na cama, queria dormir e dormiu. Sonhou que estava debruçada na janela do casebre e o seu irmãozinho caçula gritava por ela dizendo: “Venha Nana, venha embora para casa, sai dessa janela”.
A menina acordou assustada, olhou em volta no casebre e o dia já tinha amanhecido. No fogão, da chaleira saía fumaça e as torradas estavam sobre um tabuleiro. Ela levantou, pegou o livro, sentou na mesa e tomou o chá de maçã; era o seu preferido. Comeu as torradas e deu uma olhada em volta. Despediu do casebre, montou na bicicleta e saiu correndo pela estrada. Entrou no trigal e corria com tanta velocidade que o trigo roçava a sua pele, como se quisesse arranhar. O vento assobiava como se falasse com ela para que ficasse ali no campo de trigo. Ela fechou os olhos e foi em linha reta, quando sentiu o impacto do tombo e apagou.
Acordou caída no chão próximo ao muro, algumas pessoas a cercavam. Uma senhora segurava sua bicicleta que estava toda empenada, e um senhor balançava a menina sem parar, dizendo: “Acorde menina! Vamos, abra seus olhos! Acorde, acorde…”. Ela sentou-se no chão, olhou para o muro e ele estava intacto. Ela levantou com a ajuda das pessoas, estava ainda meio cambaleando. Alguém perguntou onde ela morava e ela apontou o dedo para a quinta casa depois da curva.
O senhor veio trazendo a menina segurando-a pelo braço e a senhora veio atrás empurrando a bicicleta. Chegando em casa ele bateu palmas e a mãe veio atender. Ficou muito nervosa quando viu a menina cheia de hematomas. O senhor já foi explicando que quando ela fez a curva, perdeu o controle e caiu da bicicleta. A mãe agradeceu, colocou a menina para dentro, encostou a bicicleta que estava destruída na varanda, enquanto, no sofá, o irmãozinho assistia o desenho.
Quando ela entrou, o irmãozinho disse: “Nana, o que você estava fazendo na janela do casebre no quadro de parede da mamãe?”. A menina olhou assustada para o menino e depois para o quadro na parede, um lindo campo de trigo e lá longe um casebre. Ela não sabia o que dizer, olhou para o livro em sua mão, e nele estava escrito Ficar ou voltar. Ela folheou todas as páginas que estavam, diferente de antes, escritas. Na contra capa, estava escrito o nome da biblioteca da escola na qual ela estudava. Então lembrou que voltava da escola quando caiu. Depois da mãe tratar os ferimentos, ela tomou um bom banho e sentou-se na cozinha em que a mãe assava pão de cravo e canela e bolo de milho. A chaleira no fogão fervia o chá de maçã, ela abriu o livro e começou a ler. 







texto escrito por  Daise. 

O rebolar das borboletas

Em um jardim de tumbérgias, hortênsias e gerânios, dançam três borboletas amarelas, bailam sob o sol escaldante, de flores em flores, ora ...