segunda-feira, 6 de abril de 2020

A Brisa




A noite chegou silenciosa, no bambuzal um vento leve soprou levantando as folhas secas caídas no chão, aos poucos o som da escuridão foi aumentando, um grilo cantava dali, um sapo coaxava de lá, um piado fino e longo foi ouvido por umas das corujas que voava próximo ao riacho, que descia pela pequena encosta, ali bem perto abriu se uma portinha minúscula numa árvore que ficava bem entre o riacho e os bambus.

De dentro da frondosa árvore saiu primeiro dois olhinhos, tão pequenos que mais pareciam pontinhas de uma agulha, daquela de bordar bordados bem delicados, rendinhas que são feita bem perfeitas, os olhinhos piscaram, uma vez, depois outra vez, até se acostumarem com a escuridão, em seguida uma mãozinha segurando uma lanterna, e no clarão da luz podia se ver uma menininha com asas tão delicadinha quase transparente, que reluzia quando trepidava, as cores eram como as do arco - íris, mas bem mais sutil.


A pequena menininha com asas era uma fada que acabava de nascer, os olhinhos pretos e bochechas bem rosinha, a natureza é assim, quando você menos espera, nasce uma fada aqui, ou outro ser ali, ela que comanda quem nasce, e onde nasce, e aquela doce criaturinha nasceu em um dia em que tudo estava tão calmo e parado, ela bateu suas asinhas, deu uns pulinhos, bateu umas palminhas e saiu voando no escuro, acabou batendo em um bambu que insistia em ficar deitado no meio do caminho.

Foi um tombo feio, mas a fada levantou, olhou para o alto, lá em cima na árvore a lanterna brilhava, ela voltou imediatamente voando, viu que não podia sair naquela escuridão, entrou novamente pela janelinha, pegando a lanterna, olhou em volta, sua casinha era muito fofa, alguém já havia preparado tudo para ela morar ali, tinha um sofá com uma toalha bordada em seu encosto, e na toalha um nome, “Brisa”, a fada pensou: Uau! esse é meu nome.

Na mesa tinha uma linda xícara rosa, com florzinhas amarelas e azuis, ao lado, um cubo de açúcar, dentro um néctar de framboesa, um cheirinho adocicado era sentido por toda a casinha, atrás de um anteparo, ficava uma caminha macia coberta por pétalas rosas brancas e rosas, que eram cobertores afáveis, luzinhas brancas iluminava em volta do dossel da cama, na janela, a cortina com estrelas cintilavam como as do céu.

Brisa andou por toda casinha, que não era tão grande assim, sentou se na mesa, jogou o cubo de açúcar dentro da xícara, e se deliciou do néctar de framboesa, tomou tudinho até o último golinho, e todo aquele líquido gostoso, a deixou com um sono… ela bocejou, piscou os olhinhos, coçou a cabeça, olhou para a caminha confortável, deu uns passinhos e caiu sobre a mesma, o colchão era tão macio que ela afundava e voltava, afundava e voltada.

Depois de tanto afundar e voltar várias vezes, puxou uma pétala de rosa bem macia para cima de si, e dormiu, a árvore que sentia tudo, balançou seus galhos com o vento bem devagar, não queria acordar sua nova moradora, cada folha que se soltava, descia bem lentamente, chegando ao chão como um sussurro, à noite seguiu silenciosa, alguns barulhos dos seres da escuridão embalou o sono da fadinha, que dormia profundamente, sua primeira noite no planeta.


Quando os primeiros raios de sol bateu no tronco da árvore, iluminou toda casinha, o calor gostoso tocou os cabelos da fadinha, depois a bochecha, as minúsculas mãozinhas, e ela foi acordando suavemente, o sol a cumprimentava convidando a um belo voo sereno naquele dia magnífico, ela abriu os olhinhos, sentou se na cama, armou suas asinhas, esticou as pernas para fora da cama, abriu a janela, saudando a frondosa árvore, ao ventinho que passava, e ao sol que tudo iluminava.


Texto escrito por Daise 

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